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CAPEIAS > A Capeia raiana
O DIA DA CAPEIA
O tão grande dia é esperado pelos habitantes da aldeia com muita ansiedade. Começa bem cedo. Por volta da 8h da manhã juntam-se rapazes e homens idosos para darem os últimos retoques à praça e colocarem as cordas ao forcão.
Por volta das 11h da manhã chegam os bois de camião (5 ou 6 bois e uma bezerrinha). São constantes as palmas, os vivas e as manifestações de alegria dos habitantes da aldeia e aficcionados que esperam ansiosos para ver o gado. Os bois são conduzidos para o curral ou curros e, de seguida, sai o touro da "prova" ou experimentação. É como que um fugaz aperitivo à corrida da tarde. O boi da prova entra na praça. "Há reboliço, burburinho, trambolhões e todo o mundo abala para suas casas, impaciente, a fim de almoçar e se preparar para o momento definitivo”. (dito por Cameira Serra e Pires Veiga no livro "A Capeia").
Por volta das 15horas, começam a chegar à praça aldeões e aficcionados de outras aldeias ocupando os reboques e calampeiras numa agitação enorme e ruidosa discutindo a faina que se aproxima. Molha-se o chão da praça para não levantar pó. Os rapazes concentrados na praça esperam a aparição dos mordomos para dar início ao pedido da praça. Em algumas aldeias os mordomos montam cavalos enfeitados sendo seguidos a pé pela restante rapaziada. Por volta das 16h30 iniciasse o pedido da praça. Lançasse um foguete para anunciar o inicio da festa, os mordomos vão à frente trajados todos de igual com bandeiras ao ombro seguidos pela rapaziada em duas filas ao som de tambor ou acordeão dão duas voltas à praça e dirigem-se à pessoa a quem vão pedir a praça. Normalmente ao Presidente da Junta, param de tocar os tambores ou acordeão e um dos mordomos declama então: “ A rapaziada solteira, em nome de todo o POVO da NAVE vem, uma vez mais, pedir a V.Exa se digne conceder autorização para que se dê inicio a uma das tão célebres e tradicionais capeias.” A pessoa destinguida, responde com um breve discurso elogiando a rapaziada da terra, os espectadores aplaudem, a rapaziada dá mais uma volta à praça e dirigem-se ao forcão para esperar o primeiro boi. Mordomos cada um em sua galha, bem escoltados, forcão em peso, silencio na praça pois todos estão com os olhos na porta dos curros, sai o boi e investe forte no forcão. Os espectadores aplaudem, as mães dos mordomos deixam cair algumas lagrimas, o medo e a emoção é forte. Depois da lide ao encostar o forcão os espectadores aplaudem, as mães dos mordomos suspiram de alivio e os rapazes mais foitos correm o boi a pé passando perto dele e toucando-lhe nas hastes em passagens rápidas e circulares ate que o homem entregue à porta dos curros a abra e o boi entre. Ao entrar o boi para o curro, rapaziada e aficcionados que se protegem nos salva- vidas reúnem-se dentro da praça comentando a lide. Para a malta do forcão e cortadores é colocado no centro da praça águas e cerveja para matar a sede pois a tarde está quente e o pó levantado durante a lide seca os lábios.
O homem da porta dos curros bate com um pau duas ou três vezes na porta e o descanso termina. A rapaziada coloca o forcão no centro da praça e preparam-se para enfrentar o segundo boi. Os rapazes da galha, estes já mais velhos e experientes que os mordomos, animam o resto dos lidadores gritando “força pessoal o bicho é grande”. Sai o boi e vai direitinho ao forcão. O boi é forte, rápido e tenta passar para trás metendo a cabeça por baixo da galha, o pessoal aguenta firme, há gritos nas calampeiras. Alguns curtadores que estão nos salva-vidas tentam tirar o boi do forcão e conseguem. A rapaziada encosta o forcão, os espectadores aplaudem e os lidadores comentam “ foi por pouco”. A rapaziada coloca o forcão no centro da praça e preparam-se para enfrentar o segundo boi. Os rapazes da galha, estes já mais velhos e experientes que os mordomos, animam o resto dos lidadores gritando “força pessoal o bicho é grande”. Sai o boi e vai direitinho ao forcão. O boi é forte, rápido e tenta passar para trás metendo a cabeça por baixo da galha, o pessoal aguenta firme, há gritos nas calampeiras. Alguns curtadores que estão nos salva-vidas tentam tirar o boi do forcão e conseguem. A rapaziada encosta o forcão, os espectadores aplaudem e os lidadores comentam “ foi por pouco”. Repete-se a lide de cortes mostrando a rapaziada habilidade e coragem, lide muito apreciada pelas raparigas da terra, sendo vistos como os valentes da terra. O terceiro boi, um belo exemplar com perto de 500 quilos, dá continuidade a uma animada tarde de capeia, dando vaidade aos lidadores pela actuação de parte a parte, sendo considerada a melhor lide da tarde tendo que se reparar o forcão no final da lide, pois as fortes marradas do boi partira varias galhas. No descanso do terceiro boi, os mordomos dão uma volta à praça passando perto das calampeiras com uma manta esticada, para onde os espectadores atiram moedas e notas aumentando a receita para as despesas. Ao terminar a volta os mordomos dirigem-se ao centro da praça arrebolhando e erguendo a manta agradecem aos espectadores. Começam a aparecer por todos os lados miúdos, miúdas e alguns pais com filhos de dois ou três anos ao colo, é sinal que vai sair dos curros a tão esperada bezerrinha. São tantos miúdos que ao fugirem da bezerrinha embatem uns nos outros, as gargalhadas e as palmas são constantes nas calampeiras. Os mais atrevidotes fazem a pega de caras e num abrir e fechar de olhos a bezerrinha deixa de se ver no meio de tantos miúdos. Durante alguns minutos repetem-se as pegas e os trambolhões, até que a levam para o curro quase em peso. De seguida desaparecem todos da praça, correndo e saltando de alegria subindo para as calampeiras para assistir à próxima lide. Vendo com muita atenção para porem em prática um dia mais tarde. Sai o quarto boi que engrandece a tarde quando na lide de cortes os cortadores se animam e o agarram encostado às grades. O quinto e último boi, já com a rapaziada um pouco cansada, mas onde há sempre há força para mais um, é esperado com a mesma garra e valentia havendo um desempenho acima da média de parte a parte. boi entra para os curros, a rapaziada salta toda para dentro da praça debaixo de uma chuva de palmas e vivas cumprimentam-se e abraçam-se uns aos outros alegres e vaidosos por tão grandiosa capeia. Toda a gente desaparece, pois está quase na hora do jantar. Na praça só ficam alguns rapazes e os mordomos para ajudar a carregar os bois e efectuar o pagamento do ajuste. Depois do jantar vem o baile, toda a gente dança, no bar também não faltam clientes. Por volta da meia-noite um dos mordomos sobe ao palco e anuncia os novos mordomos, momento muito esperado por todo o povo. A rapaziada da terra anima o baile até altas horas da madrugada com um único pensamento na cabeça, a CAPEIA do próximo ano.
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