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CAPEIAS > A Capeia raiana
O dicionário de palavras da capeia
Dicionário de termos da tradicional Capeia Arraiana
AFOLIAR – colocar-se à frente do touro, desafiando-o a investir; tourear.
ALABARDA – pau enfeitado ou bandeira, usado nas touradas pela mordomia quando pede a praça; o mesmo que labarda. Também se chamam «alabardas» às bandeiras usadas nas festas do Espírito Santo, em algumas terras: «Era constituída por duas bandeiras, ambas em forma de galhardete, e cujos panos de uma forma quadrada, eram constituídos por retalhos quadrados de cores, em que predominava o vermelho, o amarelo e o verde e por um ceptro, de pau alto, encimado por uma cruz, em torno da qual se colocavam cravos e manjericos, a modos de enfeite» ( Pinharanda Gomes ).
ALABARDEAR – manejo da alabarda, agitando as bandeiras a pulso, até ao cansaço. O mesmo que labardear.
APARTO – escolha e separação dos touros para a tourada. Após o aparto os touros são conduzidos por cavaleiros pelos campos e caminhos rurais até à aldeia onde se efectuará a tourada.
CALAMPEIRAS – lugares cimeiros que envolvem o corro onde se realizam as capeias, nos quais a
assistência toma lugar ( Franklin Costa Braga escreve calampreias ).
CAPEIA – tourada arraiana ( do Castelhano: capea ).
CAPINHA – toureiro castelhano que estagia nas capeias da raia portuguesa; o mesmo que maleta.
CHOCA – cabresto; vaca que acompanha os touros bravos. Esta expressão tem outros significados populares: galinha em estado febril, que está a incubar os ovos; pedaço de bosta seca que fica agarrado ao pêlo ou à lã dos animais; salpico de lama. Também se diz água choca, significando água quente.
CHURRO – touro escuro. Júlio António Borges diz significar também: sem viço, sem vitalidade.
CORRO – cerco onde têm lugar as capeias ( touradas com forcão ), formado num largo da aldeia com recurso a carros de vacas carregados de lenha.
CURRO – local onde se metem os touros para uma tourada. « Preço do curro » : preço dos touros.
DESENCERRO – acto em que se conduzem os touros para fora da aldeia após a realização da capeia arraiana.
ENCALEIPEIRAR-SE – fugir do touro para as calampeiras ( Franklin Costa Braga ).
ENCERRISTA – cavaleiro que participa no encerro dos touros na manhã do dia da capeia.
FOLGUEDO – tourada com forcão ( Joaquim Manuel Correia ); festa; brincadeira; divertimento.
Francisco Maria Manso chama folguedos às montarias aos javalis.
FORCALHO – o mesmo que forcão ( Francisco Vaz ).
FORCÃO – triângulo feito com pernadas de carvalho atadas com cordame, usado para tourear nas capeias arraianas. Ao forcão pegam entre vinte e cinco a trinta homens que, sincronizados, rodam na praça, para evitar que o touro salte para cima do aparelho, se meta por debaixo dele ou o contorne. Mais a Sul ( Monsanto ) forcão designa um pau bifurcado usado para juntar feno ou para empurrar a lenha para o forno ( Maria Leonor Buesco ).
GALANO – boi malhado, banco e preto (Adérito Tavares)
GALHA – um dos lados dianteiros do forcão – à galha agarram os pegadores mais destemidos.
Também significa ramo, pernada.
GALHOS DIANTEIROS – os dois rapazes que ficam nas galhas do forcão, à direita e à esquerda. Noutro tempo os galhos dianteiros estavam munidos de varas com aguilhão, que tinham por função picar o touro, de forma a evitar que saltasse sobre o aparelho de lidar.
GARROCHA – vara com ponta de ferro, usada para picar os touros nas capeias. Também significa: escaravelho ( Pinharanda Gomes ) e jogo tradicional.
JOGO DO BOI – jogo infantil que consiste na imitação da capeia arraiana. Uma vara comprida fazia de forcão e um pau era os chifres do touro, quase sempre representado pelos rapazes mais malandros ( Maria José Bernardo Ricardo Costa ).
MALETA – toureiro amador espanhol que percorre as touradas da raia portuguesa. O mesmo que capinha.
MOFENDA – campo de pastagem para os touros, em Espanha.
MONTARAZ – guarda espanhol dos touros bravos.
NOVILHEIRO – indivíduo natural de Aldeia da Ponte ( termo recolhido por Clarinda Azevedo Maia, que o atribui à fama que têm nas capeias naquela terra raiana ).
PASSEIO – costume antigo, em que, no dia da festa da aldeia, os mordomos marcham pelas ruas, levando insígnias – passeio dos mordomos. Adérito Tavares associa o passeio à capeia, pois os mordomos desta e outros rapazes evoluem pelas ruas da aldeia, ao som do tambor, em momento que precede a tourada. Joaquim Manuel Correia chama-lhe passeio dos moços e refere tratar-se de uma evolução militar simulada, cuja origem vem do tempo em que os mancebos se preparavam para exercerem funções de defesa das suas aldeias.
PEDIR A PRAÇA – acto inaugural da capeia, em que os mordomos solicitam autorização para dar início à tourada. A praça é pedida à pessoa mais grada que está na assistência, que no momento representa a autoridade.
PINCHADO – indivíduo perfurado com o corno do touro.
REDONDEL – pequeno largo fechado por carros de lavoura, carregados de mato, onde se fazem as capeias nas aldeias raianas ( Nuno de Montemor ).
RABEADOR – homem que pega no vértice traseiro do forcão e o maneja face ao movimento do touro. O mesmo que rabichador. Adérito Tavares refere dois termos equivalentes: rabejador e rabicheiro. O rabeador tem de ser um homem alto, ágil, e com capacidade de comando.
RABICHO – vértice traseiro do forcão, que é o seu leme ( Francisco Vaz ). Adérito Tavares escreve rabiche.
SORTE – lide de um touro na capeia. O termo tem outros significados: parte de uma propriedade que cabe a cada um dos herdeiros. Ir a sortes: ir à inspecção militar (o mesmo que dar o nome ou dar o número) – a sorte do inspeccionado podia ser: livre, esperado ou apurado.
TAMBORLEIRO – tamborileiro. O tamborleiro é figura essencial nas capeias em algumas terras da Raia. É ao som do tambor que se efectua o passeio dos rapazes.
TOURO DA PROVA – touro que é lidado com o forcão logo a seguir ao encerro, para verificar se há boas expectativas para a capeia, que acontecerá à tarde.
VACA DA AGUARDENTE – vaca largada na manhã da capeia, logo após o encerro.
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